Treinar no Verão: Quando o Calor Vira um Desafio Fisiológico.

Treinar durante o verão exige atenção redobrada, pois as altas temperaturas impõem um estresse adicional ao organismo. Quando o corpo se exercita em ambientes quentes, há um aumento significativo da temperatura corporal, o que ativa mecanismos de termorregulação, como a sudorese e a vasodilatação periférica. Esses processos são essenciais para dissipar o calor, mas também elevam a demanda cardiovascular, tornando o treino mais desgastante mesmo em intensidades moderadas.

A desidratação é outro fator crítico nesse período. Com a perda de líquidos e eletrólitos pelo suor, o volume plasmático diminui, comprometendo o transporte de oxigênio e nutrientes para os músculos. Isso pode resultar em queda de desempenho, aumento da percepção de esforço e maior risco de cãibras. Por isso, estratégias de hidratação antes, durante e após o treino são fundamentais, especialmente em sessões prolongadas.


O calor também interfere diretamente na frequência cardíaca. Em ambientes quentes, o coração precisa trabalhar mais para manter o débito cardíaco adequado, fenômeno conhecido como “deriva cardiovascular”. Como consequência, o controle da intensidade do treino baseado apenas na frequência cardíaca pode se tornar impreciso, exigindo o uso combinado de métricas como ritmo, potência e percepção subjetiva de esforço.

Do ponto de vista metabólico, o organismo tende a consumir mais glicogênio muscular no calor, antecipando a fadiga. Além disso, a exposição prolongada a altas temperaturas pode aumentar o risco de hipertermia e exaustão pelo calor, condições potencialmente graves. A aclimatação térmica — processo em que o corpo se adapta gradualmente ao calor ao longo de dias ou semanas — é uma estratégia essencial para reduzir esses riscos.

Por fim, o planejamento do treino no verão deve considerar horários mais amenos, como o início da manhã ou o fim da tarde, além de ajustes na intensidade e no volume. O uso de roupas leves, respiráveis e de cores claras também auxilia na dissipação do calor. Com conhecimento técnico e estratégias adequadas, é possível manter a consistência nos treinos mesmo diante dos desafios impostos pelo verão.