Correr no Sentir: quando o corpo vira o melhor relógio.

Treinar pela Percepção Subjetiva de Esforço (PSE) é, basicamente, aprender a ouvir o próprio corpo durante a corrida. Em vez de depender exclusivamente de relógios, frequencímetros ou planilhas rígidas, o corredor passa a avaliar a intensidade do treino a partir de sensações como respiração, fadiga muscular e capacidade de manter o ritmo. Essa abordagem valoriza o autoconhecimento e reconhece que o corpo dá sinais claros sobre como está lidando com o esforço imposto.

Uma das grandes importâncias da PSE é respeitar as variações do dia a dia. Sono ruim, estresse, alimentação inadequada ou até o clima podem influenciar diretamente o desempenho. Ao treinar por percepção, o corredor ajusta naturalmente a intensidade do treino, evitando forçar demais em dias ruins ou subestimar a capacidade em dias de maior disposição. Isso torna o processo mais inteligente e alinhado com a realidade do organismo.


Nos treinos de corrida, a PSE também ajuda a desenvolver um pacing mais eficiente. O atleta aprende a reconhecer ritmos sustentáveis, identificar quando está exagerando na largada e entender até onde pode apertar no final. Essa habilidade é especialmente valiosa em provas longas, nas quais o controle do esforço é decisivo para um bom resultado e para evitar a famosa “quebra”.

Outra vantagem clara dessa abordagem é a acessibilidade. Não é preciso tecnologia cara para treinar bem: basta atenção às sensações corporais. Além disso, a PSE se adapta facilmente a diferentes níveis de corredores, do iniciante ao experiente, funcionando tanto em treinos leves quanto em sessões mais intensas. Ela também se integra muito bem a outros métodos, servindo como complemento aos dados objetivos.

Por fim, treinar pela percepção subjetiva de esforço contribui para a prevenção de lesões e para a longevidade no esporte. Ao reconhecer sinais precoces de fadiga excessiva, o corredor reduz o risco de sobrecarga e aprende a respeitar os limites do corpo. No longo prazo, a PSE não só melhora o desempenho, como transforma a corrida em uma prática mais consciente, prazerosa e sustentável.