Equilíbrio Hidroeletrolítico no Treinamento de Corrida: Impactos Fisiológicos e Estratégias de Reposição.

A manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico é um dos pilares fisiológicos do desempenho na corrida, especialmente em treinos de média e longa duração. Eletrólitos como sódio, potássio, magnésio e cálcio participam diretamente da condução nervosa, contração muscular e regulação do volume sanguíneo. Durante o exercício, a perda desses minerais ocorre principalmente pelo suor, e sua reposição adequada influencia tanto a performance quanto a prevenção de intercorrências como câimbras, queda de rendimento e fadiga precoce.

O sódio é o eletrólito mais perdido no suor e desempenha papel central na manutenção do equilíbrio de fluidos corporais. Quando há reposição apenas de água, sem eletrólitos, pode ocorrer diluição excessiva do sódio plasmático, prejudicando o desempenho e, em casos extremos, levando à hiponatremia. Já o potássio atua no funcionamento muscular e cardíaco, enquanto magnésio e cálcio estão relacionados à eficiência da contração muscular e à redução de espasmos. Ou seja, não se trata apenas de “beber líquido”, mas de preservar a funcionalidade celular durante o esforço.


Em treinos curtos e de baixa intensidade, a reposição pode ser feita majoritariamente por meio da alimentação equilibrada ao longo do dia. Contudo, em sessões superiores a 60–90 minutos, especialmente sob calor intenso ou alta umidade, a estratégia deve ser mais estruturada. Bebidas isotônicas, cápsulas de eletrólitos ou géis com sódio passam a ser ferramentas úteis para manter estabilidade fisiológica e evitar quedas bruscas de energia associadas à desidratação progressiva.

Além do impacto físico, o equilíbrio eletrolítico influencia diretamente a percepção de esforço. Atletas desidratados ou com déficit de sódio tendem a relatar maior cansaço, dor muscular acentuada e dificuldade de manter o ritmo planejado. Isso ocorre porque a eficiência da comunicação entre sistema nervoso e musculatura fica comprometida. Em provas longas, pequenos desequilíbrios acumulados ao longo dos quilômetros podem representar diferença significativa no resultado final.

Portanto, a ingestão estratégica de eletrólitos deve ser encarada como parte integrante do planejamento de treino, e não como um detalhe secundário. Assim como se periodiza volume e intensidade, também se deve ajustar hidratação e reposição mineral conforme duração, clima e características individuais de sudorese. Performance consistente é resultado de preparo técnico — e isso inclui respeitar a bioquímica do próprio corpo.