Periodização dos Treinos Longos no Ciclo de Maratona: Quando e Por Que Inserir o Longão.

No planejamento de uma maratona, o treino longo não é apenas mais uma sessão da semana — ele é o eixo central da preparação. O momento ideal para realizá-lo dentro do ciclo depende do nível do atleta, do volume semanal e da fase do treinamento. Em geral, os longões começam a ser inseridos de forma progressiva logo após a fase inicial de base aeróbica, quando o corredor já construiu regularidade e resistência suficiente para sustentar maiores distâncias com segurança.

Na fase de base, que costuma ocupar as primeiras semanas do ciclo, o foco está na adaptação cardiovascular, fortalecimento muscular e consistência de treinos. Nesse período, os longos são moderados e crescentes, sem exageros. É um erro comum tentar “testar” a distância da maratona muito cedo. O corpo precisa de estímulos graduais para evoluir. Antecipar volumes elevados aumenta o risco de lesão e compromete a continuidade do ciclo — e constância é o que realmente constrói desempenho.


O auge dos treinos longos ocorre na fase específica da preparação, normalmente entre a metade e as últimas semanas do ciclo. É nesse momento que entram os maiores volumes, incluindo treinos acima de 28–32 km para corredores experientes. Aqui, o objetivo não é apenas resistência física, mas também adaptação metabólica, estratégia de hidratação, teste de suplementação e fortalecimento mental. O longão, nessa etapa, simula demandas reais da prova, sem necessariamente replicar os 42 km completos.

Já nas duas a três semanas que antecedem a maratona, o volume dos treinos longos deve diminuir progressivamente — período conhecido como “taper”. Essa redução estratégica permite que o organismo assimile o treinamento acumulado e chegue à largada com reservas energéticas e musculares preservadas. Manter longões excessivos nessa fase é contraproducente. Treinar demais próximo da prova é tão prejudicial quanto treinar de menos.

Portanto, o momento ideal para os treinos longos não é fixo, mas segue uma lógica de progressão e especificidade dentro do ciclo. Eles começam controlados, atingem seu pico na fase específica e reduzem na reta final. A maturidade do atleta está em respeitar esse processo. Maratona não se vence na empolgação de um único treino forte, mas na disciplina de um ciclo bem estruturado.