Quanto custa correr uma Major? Veja como transformar o sonho em um projeto possível.

 Correr uma das seis maratonas que integram a Abbott World Marathon Majors — Tóquio, Boston, Londres, Berlim, Chicago e Nova York — é um sonho para muitos corredores. Mas, além dos quilômetros de treinamento, existe outro desafio que começa bem antes da largada: o planejamento financeiro. Para quem vive no Brasil, participar de uma Major significa considerar inscrição, passagens aéreas, hospedagem, alimentação, transporte e, em alguns casos, custos extras para conseguir uma vaga. Ou seja: não basta estar preparado fisicamente; é preciso preparar também o bolso.

O primeiro passo é entender que o valor da inscrição representa apenas uma parte da conta. Em Chicago, por exemplo, a taxa de 2026 para corredores de fora dos Estados Unidos foi de US$ 260, além da tarifa de processamento. Em Tóquio, a inscrição internacional para a maratona de 2026 foi estabelecida em US$ 230, já com taxas e impostos incluídos. Boston, por sua vez, tem um sistema diferente, baseado em índices de qualificação, e a taxa para os classificados na edição de 2026 foi de US$ 260.


Para o corredor brasileiro, entretanto, o maior impacto costuma estar fora da prova. Uma viagem internacional pode envolver passagem aérea, hotel por vários dias, alimentação, transporte entre aeroporto, hotel e locais do evento, além de gastos com câmbio. Também é importante considerar que algumas Majors possuem sistemas de entrada por sorteio, qualificação, caridade ou operadores oficiais de turismo. Em Chicago, por exemplo, operadores autorizados oferecem pacotes que podem combinar inscrição, passagem e hospedagem, mas os valores variam conforme o serviço contratado.

A melhor estratégia é transformar a Major em um projeto de médio ou longo prazo. Escolher a prova com antecedência permite acompanhar o calendário de inscrições, pesquisar preços de passagens em diferentes períodos e criar uma reserva específica para a viagem. Uma planilha simples pode dividir o orçamento em cinco categorias: inscrição, transporte aéreo, hospedagem, alimentação e gastos locais. Também vale manter uma margem para imprevistos, porque câmbio e tarifas podem mudar bastante entre o momento do planejamento e a viagem.

No fim das contas, correr uma Major pode custar muito mais do que simplesmente comprar um número de peito, mas isso não significa que o sonho seja impossível. O segredo está em começar pelo planejamento e não pela compra da passagem. Para quem realmente deseja conhecer o circuito das grandes maratonas mundiais, escolher uma prova por vez, pesquisar as regras de entrada e poupar com antecedência pode transformar uma ideia distante em uma meta concreta — e, quem sabe, em uma coleção de medalhas que conte uma história ao redor do mundo.