Para quem está acostumado a correr forte, diminuir o ritmo pode parecer perda de tempo. No entanto, os treinos leves são uma parte fundamental de uma rotina de corrida bem estruturada. Eles ajudam a desenvolver a resistência aeróbica, facilitam a recuperação entre sessões mais exigentes e permitem acumular volume sem provocar o mesmo nível de estresse de um treino intenso.
Mas quão leve deve ser esse treino? Não existe um ritmo universal. A intensidade adequada depende do nível de condicionamento, do objetivo da sessão, do clima, do terreno e até do estado de recuperação do corredor naquele dia. Como referência, o treino leve deve permitir uma conversa relativamente confortável, sem que a respiração fique excessivamente ofegante. A percepção de esforço também costuma ficar em uma faixa baixa a moderada.
Um erro frequente é transformar toda corrida em uma disputa contra o relógio. Quando o corredor acelera demais nos dias destinados à recuperação ou à construção de base aeróbica, pode acabar acumulando fadiga e comprometendo os treinos realmente importantes. O resultado é um programa em que todas as sessões ficam moderadamente difíceis, mas nenhuma delas é executada com a qualidade necessária.
A velocidade também não deve ser o único parâmetro. Um ritmo que é confortável para um corredor experiente pode ser bastante exigente para alguém que está começando. Em dias quentes ou com muito ganho de elevação, por exemplo, manter o mesmo ritmo de uma sessão realizada em condições ideais pode elevar significativamente o esforço. Nesses casos, aceitar uma corrida mais lenta é parte do treinamento, não um sinal de regressão.
O melhor treino leve é, portanto, aquele que cumpre sua função sem consumir energia desnecessariamente. Se o corredor termina a sessão sentindo que poderia ter continuado por mais tempo, isso pode ser um bom sinal de que a intensidade estava adequada. A leveza não significa ausência de estímulo: significa oferecer ao organismo o estímulo certo, no momento certo, para que ele esteja pronto para os próximos desafios.
